Vacinação das grávidas contra a tosse convulsa

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De acordo com a orientação emitida pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no passado dia 15 de julho, recomenda-se a administração de uma dose da vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria, em doses reduzidas (Tdpa) às grávidas entre as 20 e as 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas.

 

Deve ocorrer após a ecografia morfológica, já que é nessa idade gestacional que a passagem transplacentária de anticorpos da mãe para o filho é mais eficaz, conferindo uma proteção passiva até ao início da vacinação (aos 2 meses de vida). A grávida deve repetir esta vacinação em cada gravidez.

A vacinas são adquiridas na farmácia (Boostrix® ou Triaxis®), mediante prescrição médica, não estando documentada interferência com a administração de imunoglobulina anti-D, desde que realizadas em locais anatómicos diferentes.

Esta nova orientação tem como base o padrão de endemicidade residual verificado em Portugal nos últimos anos, apesar de ser conhecido que “a cobertura vacinal para a vacina contra a tosse convulsa aos 12 meses e aos 7 anos de idade é da ordem dos 95% há pelo menos duas décadas”. Verificou-se ainda que existe uma maior incidência e letalidade em crianças que ainda não iniciaram a primovacinação (idade inferior a 2 meses).

Foi em 2012 que a OMS considerou que Portugal apresentava um padrão de reemergência da tosse convulsa, também observado na Austrália, Chile, EUA e Reino Unido. Pensa-se que as causas mais prováveis sejam a “diminuição rápida da imunidade conferida pela vacina acelular e o aparecimento crescente de mutantes de escape vacinal, ou seja, variantes da bactéria”.

Em 2012 o Reino Unido foi o primeiro país a utilizar esta estratégia de vacinação, com uma efetividade na prevenção da tosse convulsa superior a 90% nos pequenos lactentes (demonstrada em estudos caso-controlo).

A DGS avança ainda que os benefícios ultrapassam largamente o potencial risco de reações locais mais exacerbadas, destacando que “os estudos efetuados demonstram que a vacinação da grávida é segura, nomeadamente sem risco aumentado de morte fetal, aborto espontâneo, prematuridade, pré-eclampsia ou eclampsia”.

Marta Travessa
Colaboradora +mgf

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