Basaliomas

Efectivamente a lesão do post anterior corresponde a um carcinoma basocelular, embora, quando ulceradas, seja complicado distinguir a olho nu estas lesões de um carcinoma epidermóide (ou espinocelular). O bordo perlado é o que nos dá a pista diagnóstica que mais apoia a existência de um basocelular.

O carcinoma basocelular é sem dúvida o tipo de cancro mais frequente em humanos, e apesar de ser muito raro que metastize à distância e ainda mais que cause a morte do paciente, pode levar a uma morbilidade importante se não se diagnostica e trata adequadamente.

A grande maioria dos carcinomas basocelulares está relacionada com a exposição à luz ultravioleta, especialmente com exposições solares intensas e intermitentes (nisso se distingue dos carcinomas epidermóides, mais associados a exposições crónicas), bem como a solários. Pessoas com pele clara ou imunodeprimidas têm maior predisposição para desenvolver este tipo de tumor.

O ritmo de crescimento de um carcinoma basocelular costuma ser muito lento. O nosso paciente, com uma lesão de tamanho considerável no nariz, provavelmente só deu por ela (e por isso veio à consulta)  quando se ulcerou, mas certamente o carcinoma tinha surgido muito tempo antes, talvez anos, sem ter chamado a atenção de ninguém. Isso deve-se ao facto de se tratar de um carcinoma basocelular do tipo morfeiforme, que se apresenta como uma lesão aplanada de bordos indefinidos e crescimento lento. Além disso, lesões deste tipo raramente dão sintomas como prurido ou dor (até que se ulceram), de modo que o diagnóstico precoce é um grande desafio.

Porém, a variante mais frequente do carcinoma basocelular é a nodular (60%), a típica pápula perlada com teleangiectasias.

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Recordemos também que é frequente a presença de pigmento nestas lesões, pelo que, diferenciá-las de um melanoma pode ser complicado.

 

125001-1 125001-3A utilização da dermatoscopia neste tipo de lesões pode ajudar a definir melhor determinados rasgos, como os padrões de pigmento e a vascularização tão característica, com vasos grandes e arboriformes.

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A variante de carcinoma basocelular superficial (mais frequente no tronco e extremidades) dificulta o trabalho dos médicos de família, por originar lesões que chamam pouco a atenção, não sendo raro encontrar em consulta pacientes com basocelulares superficiais medicados com corticóides ou antifúngicos, devido ao diagnóstico erróneo de eczema ou dermatomicose.

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Por outro lado, podem coexistir múltiplas lesões (quase sempre em pacientes com afectação actínica importante). Neste caso poder-se-ão ponderar tratamentos mais conservadores, não cirúrgicos ( graças à superficialidade da lesão), dos quais falaremos outro dia.
Mas o que fazer com o nosso paciente? Apesar de a excisão cirúrgica ser claramente o tratamento a realizar,existe risco de que, se não efectuada com margem suficiente para a extirpação completa, a lesão possa recidivar. Então, ponderaria uma técnica cirúrgica mais complexa chamada cirurgia micrográfica de Mohs.

A peculiaridade desta técnica é a análise histológica das margens do tecido extirpado em tempo real. Caso se verifique a presença de tecido tumoral nas margens extirpadas, a reintervenção é imediata e este procedimento repetido até se garantir a excisão total da lesão, preservando ao máximo o tecido são.

No carcinoma basocelular está indicada para lesões recidivantes, morfeiformes e em áreas de risco elevado (por exemplo nariz, lábios, regiões periorbitária e auricular).


(agradecemos os comentários realizados :) )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner

Traduzido por: Isa Cavaleiro
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