De volta às idades pediátricas

Respiro profundamente antes que a nossa pequena paciente entre na consulta, acompanhada pela mãe e pelo seu irmão mais velho. Leio no monitor a informação de referenciação dada pelo pediatra, e neste momento, não há já nenhum problema com o diagnóstico. Trata-se de uma menina de 4 anos de idade, filha de pais Senegalenses, sem nenhum antecedente relevante, e nada impressionada com a minha bata branca (coisa rara!), que se senta sorridente enquanto escrevo na sua história o que me conta o seu irmão (a mãe não fala Português, e eu não falo Francês): há mais de 6 meses que lhe aparecera umas lesões cutâneas na face, tronco e extremidades superiores, na sua maioria assintomáticas, ainda que uma ou outra lhe provoque comichão.

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A princípio eram umas poucas, no pescoço, mas com os meses foram aumentando em número e tamanho (a lesão maior mede cerca de 8mm). Não tem lesões nas mucosas nem nos genitais, e não recebeu nenhum tratamento antes de vir à consulta.

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Para vos dar tréguas depois do caso da semana passada, este é um diagnóstico bastante mais fácil, ainda que o que talvez não seja tão óbvio é como vamos orientar a nossa pequena. Deste modo, e aproveitando o facto de sermos médicos de família e possivelmente pediatras, dermatologistas, estudantes e até doentes todos reunidos num só fórum, vamos conversar acerca de um dos temas mais tumultuosos da dermatologia pediátrica quotidiana.

Tendo em conta que se trata de uma doente de 4 anos, não tratada previamente, sem nenhum antecedente e com múltiplas lesões (algumas na face) com 6 meses de evolução, qual acham que é a melhor atitude a seguir? Porque o diagnóstico é evidente, ou não?!

Advirto que neste caso podem admitir-se várias opções e, em certas ocasiões, o que se faz na realidade não tem porque ajustar-se ao que dizem as guidelines, já que o tratamento baseia-se em múltiplas variáveis, tanto do paciente, como da prática clinica de cada um. Tentaremos, contudo, justificar a nossa atuação no próximo post.


(agradecemos a honestidade intelectual de não colocar nos comentários respostas do post original :) )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner

Traduzido por: Mariana Cerejo
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4 pensamentos sobre “De volta às idades pediátricas

  1. Molusco contagioso.
    Tendo em conta a evoluçao algo arrastada poderia pedir estudo de imunologico para descartar imunossupressao como fator de prolongamento.
    Provavelmente enviava a dermatologia 😉 mas como estes quadros costumam ser autolimitados, poderia ser legitimo apenas informar a familia da natureza da doença, incentivar a evitar contactos proximos e tratar algum prurido para evitar autoinoculaçao.

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