Quando a pele dói

Paula é uma menina de 5 anos de idade sem antecedentes relevantes, tem um irmão mais velho e o plano de vacinação em dia. Numa manhã do mês de maio, recorreu ao seu Centro de Saúde por ter uma pequena erosão laterocervical e eritema em ambos os lados do pescoço. Os pais pensaram que tivesse roçado em alguma coisa.

O seu médico receitou-lhe levocetirizina mas durante a tarde o eritema aumentou, a menina não tinha febre mas ainda assim foi-lhe prescrito paracetamol e corticoides orais. Como não estava a melhorar mas sim a piorar recorreu à urgência de pediatria do hospital da área de residência.

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Os pediatras chamaram-me na manhã seguinte porque lhe tinham aparecido erosões em ambas as axilas associadas a uma dor intensa na pele, sobretudo ao roçar e à mobilização. A Paula estava bastante assustada de ver tantas batas brancas e os pais preocupados. Mantinha-se apirética, a auscultação cardio-pulmonar estava normal, apresentava adenopatias laterocervicais de 1cm, uma amigdalite folicular e a otoscopia era normal. Chamava a atenção um intenso eritema na face com descamação periorificial, um exantema que era mais intenso nas pregas e apresentava descolamento da epiderme, mais marcado na zona axilar e menos na retroauricular.

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Nas urgências colheu-se um esfregaço para cultura bacteriológica, realizaram-se hemoculturas e um teste rápido para estreptococos do grupo A da faringe, que foi negativo. A avaliação analítica estava normal.

Não vos vou contar mais nada mas gostava de saber as vossas suspeitas, se esperam que o esfregaço seja positivo, ou não, e se iniciavam algum tratamento ou esperavam para ver a evolução clínica. Uma vez que está apirética, damos alta ou internamos? Qual é a vossa opinião?

Quero agradecer à mamã da Paula (nome é fictício) que nos tenha permitido publicar as fotografias.


(agradecemos a honestidade intelectual de não colocar nos comentários respostas do post original 🙂 )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner

Traduzido por: Rute Millán
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2 pensamentos sobre “Quando a pele dói

  1. Penso que se trata de síndrome da pele escaldada, causado por infeção cutâneo por estreptococcus, trata-se com antibiotico (amoxicilina ou penicilina se não estou em erro).
    Dadas as queixas álgicas e a gravidade/exuberância do quadro, optaria por interamento, ate porque poderá eventualmente necesitar de analgesia com opioides.

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  2. Acho que optaria por internamento, devido a que o quadro não está definido, e está em claro agravamento. Daria antialgicos (paracetamol), não daria antibiótico ( a não ser um agravamento evidente do quadro com descamação da epiderme, de forma profilática). E descartaria pénfigo ou steven-jonhson como hipótese diagnóstica.

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