+ NNL #6

Bem vindos aos +NNL

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O número necessário ler todos os meses, nem mais, nem menos.

Uma newsletter inovadora que, em cada edição resume os 10 artigos do último mês com maior interesse para a MGF, de entre as publicações de várias revistas com renome nacional e internacional. Se tiver curiosidade ou quiser mais informação, clique no link e leia o abstract.


Nesta edição resumimos os principais artigos do mês de Março, havendo lugar para alguns temas quentes que agitam o mundo da medicina, as nossas mentes e, em última análise, as nossas consultas.

Abrimos esta edição com uma questão estrutural da medicina como ciência: deverão os dados brutos dos ensaios clínicos ser públicos?


Sabemos que a ciência médica tem  produzido vários escandalos ao longo dos anos. Alguns destes são responsabilidade da indústria farmacêutica, outros das faculdades e investigadores. A publicação de dados brutos permite que estes sejam reanalisados por outros investigadores, que não os que conduziram o ensaio, e corrigir eventuais falhas na análise original.

Alguns investigadores defendem a não publicação de dados brutos afirmando: “nós fazemos ensaios para responder a uma pergunta. Eles [indústria farmacêutica] fazem análises para provar algo”.
A editora-chefe do BMJ, Fiona Godlee, termina o seu texto afirmando que a transparência de dados deveria ser a regra e não a excepção. .

Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre vitamina D. Mas haverá benefícios em suplementar para diminuir a dor da gonartrose?

Um ensaio clínico aleatorizado e duplamente cego, publicado na JAMA, comparou a suplementação com vitamina D vs placebo, em doentes com gonartrose sintomática e défice de vitamina D.

As conclusões são reveladoras: após 2 anos de estudo, não se verificaram diferenças significativas ao nível da espessura da cartilagem articular nem da dor.

Uma meta-análise em rede publicada no Lancet, avaliou a eficácia das diferentes formulações e doses de AINES, bem como do paracetamol, no controlo da dor na osteoartrose da anca e do joelho.

Foram no total identificados mais de 8900 artigos, dos quais 74 eram estudos controlados, englobando cerca de 58500 doentes.

Os investigadores concluiram que o paracetamol em monoterapia não apresenta uma melhoria clinicamente significativa da dor. De entre os vários AINES, o diclofenac na formulação de 150mg/dia foi o mais eficaz  no alívio da dor e melhoria da função.

Salientamos a advertência dos autores que estes resultados devem ser integrados com os perfis de seguraça de cada fármaco aquando da prescrição.

A lombalgia crónica é uma situação clínica frequente e com repercussão importante na qualidade de vida e produtividade dos doentes.

Um ensaio clínico aleatorizado publicado na JAMA, comparou o tratamento clássico com técnicas de mindfulness (meditação e ioga) e com a terapia comportamental cognitiva.

Após 26 semanas de tratamento, as novas terapias tiveram melhores resultados ao nível da dor e funcionalidade comparativamente ao tratamento clássico, não se tendo verificado diferenças significativas entre as técnicas de mindfulness e a terapia comportamental cognitiva.

Será que a altura e o IMC têm um efeito causal no estado socio-económico?

Esta pergunta de investigação é dificil de abordar pela quantidade de possíveis factores de confundimento que se interpõem entre a causa e o efeito.

Para ultrapassar esta limitação, a aleatorização mendeliana verifica se os genes que conferem estas características se associam com os outcomes esperados.

Neste estudo, os autores descrevem que ser mais alto no homens se correlaciona com maiores niveis de educação, profissões mais especializadas e maiores salários anuais. Já nas mulheres, um IMC mais baixo estava associado a um menor índice de privação, bem com maior salário anual.

Apesar das possíveis limitações e controvérsia destes resultados, os autores têm como objetivo identificar os fatores que inconscientemente possam influenciar decisões importantes na vida das pessoas.

Outro estudo de larga escala publicado no BMJ analisou a adesão a recomendações do Pião dos Alimentos japonês e mortalidade.

Estas recomendações, em forma de Pião, surgem após uma conversão da roda dos alimentos num cone, com um eixo central de água ou chá, que é impulsionado pelo movimento do exercício físico. Foram seguidas 43 676 pessoas durante cerca de 15 anos no Japão com registo da adesão às recomendações e das causas de mortalidade.

Quanto maior a adesão às recomendações nutricionais menor o risco de morte global e em particular por doença cardiovascular.

Na nossa prática clínica, somos, frequentemente, questionados sobre o impacto da alimentação das crianças no desenvolvimento de alergias. Com base nestes possíveis riscos, várias formulações de leite adaptado têm sido desenvolvidas nos últimos anos, nomeadamente os leites parcialmente e extensamente hidrolisados.

No entanto, existirá evidência que suporte o uso de fórmulas hidrolisadas de leite adaptado na prevenção de doenças alérgicas e auto-imunes?

A BMJ revela-nos uma revisão sistemática e meta-análise que concluiu que a utilização de fómulas de leite hidrolizadas não reduzem o risco de doença alérgica e auto-imune em lactentes de alto risco, contrariamente às recomendações das guidelines Europeias e Norte Americanas.

Dos estudos originais, os autores realçam a presença de conflito de interesses, elevado risco de viés e presença de viés de publicação.

Neste estudo publicado no JAMA, os autores procuraram perceber qual a evidência que liga os surtos de sarampo e de tosse convulsa com o atraso ou recusa vacinais.

Das descrições dos 1416 casos de sarampo, mais de metade não tinham sido vacinados. Por outro lado, vários os surtos de tosse convulsa ocorreram em populações com elevadas taxas de vacinação.

Os autores concluem que a recusa da vacina do sarampo aumenta o risco não só para os indivíduos que não foram vacinados, mas também para os que foram.

Através da  Lancet chega-nos uma revisão sistemática e meta-análise em larga escala que vem corroborar as conclusões do controverso estudo SPRINT.

Os autores tinham por objectivo perceber como a pressão arterial de base, as comorbilidade e a classe de fármacos utilizada influencia a dimensão dos benefícios do tratamento da HTA.

Os autores concluíram que por cada 10 mmHg de redução da tensão arterial sistólica, o risco de eventos cardiovasculares major diminui em 20%.

Estes resultados parecem favorecer alvos mais baixos de tensão arterial. Pela relevância do tema, e implicação para a prática clínica, desafiamo-vos a fazer uma análise crítica deste artigo com publicação posterior no +mgf.

Terminamos esta edição do +NNL com um editorial da Dra. Paula Broeiro, publicado na nossa RPMGF, onde se pode ler acerca do papel fundamental do cuidador.

As intervenções necessárias para que cuidar em casa seja possível são complexas. Entre as condições da habitação, as questões financeiras, as relações familiares, a forma como as famílias entendem e gerem as expectativas face à doença, e a resiliência do cuidador, encontram-se grandes desafios.

Os cuidadores são uma mais valia para a sociedade, poupando recursos e concretizando o desejo dos idosos de permanecer em casa. É necessário que se criem estruturas de suporte ao cuidar no lugar, bem como investigar  os factores que determinam experiências positivas do cuidar.

 

 


Desta forma terminamos mais uma edição do +NNL.
Esperamos ter ido de encontro aos vossos interesses científicos.

 

Comentem, façam sugestões e subscrevam!

Boas leituras e melhores consultas!

Escrito por:

Paulo Faria de Sousa (Editor +MGF)
Cátia Sapateiro (Colaboradora +MGF)
Angela Pacheco (Colaboradora +MGF)

Com colaboração de:

Hugo Paiva (Colaborador +MGF)

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