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O número necessário ler todos os meses, nem mais, nem menos.

Uma newsletter inovadora que, em cada edição resume os 10 artigos do último mês com maior interesse para a MGF, de entre as publicações de várias revistas com renome nacional e internacional. Se tiver curiosidade ou quiser mais informação, clique no link e leia o abstract.


Nesta edição resumimos os principais artigos do mês de Fevereiro, havendo lugar para alguns temas quentes que agitam o mundo da medicina, as nossas mentes e, em última análise, as nossas consultas.

A associação entre uso de benzodiazepinas e demência é uma das razões pelas quais esta classe de fármacos é evitada. No entanto, o resultado do estudo prospectivo publicado no BMJ contraria que haja relação causal.

O estudo seguiu 3434 pessoas durante 7,3 anos. Uma maior exposição a benzodiazepinas não estava associada a maior declíneo cognitivo, o que aponta para que a não haja causalidade.

Os autores sugerem que individuos com pré-demencia possam ser mais sensíveis a efeitos adversos das benzodiazepinas e que as utilizem menos, causando assim a diferença registada.

A diminuição de testosterona nos idosos está associada a diminuição da função sexual, da capacidade física e vitalidade. Neste estudo chamado “Testosterone Trials”, publicado no NEJM, foi avaliado o impacto da aplicação de gel de testosterona nestes 3 domínios contra placebo.

Foram recrutados 790 homens com >65 anos, com níveis baixos de testosterona e sem risco aumentado de cancro da próstata ou doença cardiovascular.

Após 1 ano de tratamento o resultado a destacar é a melhoria moderada da função sexual. Já a função física e vitalidade permaneceram inalteradas.

Apesar destes resultados, ainda não é possível tirar conclusões sólidas sobre a eficácia desta terapêutica e, sobretudo, dos seus potenciais efeitos adversos.

Uma revisão baseada na evidência publicada recentemente na RPMGF, alerta-nos para a diminuição da eficácia na erradicação da Helicobater Pylori, sobretudo devido à resistência à claritromicina e ao metronidazol. Assim, apesar da DGS recomendar a terapêutica tripla, esta revisão concluiu que a terapêutica sequencial apresenta melhores resultados de eficácia comparativamente à terapêutica tripla.

Os inibidores da bomba de protões (IBP) fazem parte da lista dos medicamentos mais prescritos em MGF. No entanto, pouco se sabe sobre a sua associação com a doença renal crónica (DRC). Para esclarecer esta associação foi realizado um estudo coorte, publicado na JAMA.

Os autores verificaram que fazer IBP se associou a maior risco de DRC, sendo que o risco era ainda ainda mais elevado no caso de 2 tomas diárias. Serão necessários mais estudos para se perceber se a limitação de uso dos IBP reduz a incidência de DRC.

Será que uma análise de sangue poderia melhorar a segurança do Dabigatrano?

Uma investigação levada a cabo pelo BMJ mostra como é que os fabricantes do Dabigatrano esconderam dados importantes sobre como utilizar o fármaco de forma mais segura e eficaz.

Um dos principais argumentos a favor deste anticoagulante é o facto de não necessitar de monitorização plasmática nem de subsequente ajuste de dose, ao contrário da varfarina. Desde a sua introdução no mercado, as principais guidelines internacionais de fibrilhação auricular não valvular têm vindo a incorporar este fármaco nas suas recomendações.

Após divulgação de informação anteriormente confidencial, o BMJ revela a existência de estudos não divulgados que apontavam para uma melhoria do perfil de segurança após ajuste de dose, bem como o cálculo de quantas hemorragias major seriam evitadas com esse ajuste. A empresa declarou que a informação não foi partilhada por não ser completamente viável.

Apesar da viabilidade económica e do marketing deste fármaco terem por base a sua fácil utilização, não podemos ignorar estes indícios. Serão necessários estudos sistemáticos e independentes que apurem qual o preço em hemorragias e mortes evitáveis em nome desta simplicidade.

A pressão arterial (PA) medida em casa mais fiável que a medida em consultório para monitorização de controlo de HTA. Este artigo publicado no Annals of Family Medicine teve por objetivo encontrar um método rápido e pragmático de avaliar a PA através dos diários trazidos pelos utentes.

Os autores relatam que os doentes que nos últimos 10 registos apresentaram 3 ou mais acima de >135mmHg (30%) tinham maior probabilidade de PA aumentada quando medida por MAPA 24h, e mais marcadores de doença de orgão.

Uma ferramenta que precisará de evidência mais robusta a suportá-la, mas que poderá agilizar e melhorar o controlo de HTA nas nossas consultas.

Várias guidelines recomendam como primeira linha os IECAs ou ARAs em doentes com hipertensão e diabetes com base em estudos contra placebo.

Esta revisão sistemática e metanálise publicada no BMJ teve por objetivo perceber se tratar a HTA em diabéticos com IECAs ou ARAs se traduziria em melhores outcomes cardiovasculares e renais comparativamente com outros antihipertensores.

Os estudos encontrados resultaram em 95 910 doentes ano de follow up, sendo que não foram encontradas diferenças nos outcomes cardiovasculares nem renais, entre os IECAs ou ARAs e outros antihipertensores.

Os autores concluem que estes resultados apoiam o uso de outros antihipertensores em diabéticos com HTA.

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre burnout nos profissionais de saúde. Um estudo transversal publicado na Acta médica Portuguesa, concluiu que médicos e enfermeiros apresentam níveis elevados de burnout, independentemente de trabalharem num centro de saúde, hospital ou clínica privada. A má qualidade das condições de trabalho foi o melhor preditor de burnout. Verificou-se também que os profissionais que desempenhavam funções há mais tempo tinham menor prevalência da síndrome.

Sabendo nós que o bem-estar psicológico do médico afecta tanto a sua vida pessoal como a prestação de cuidados de saúde aos seus doentes, é importante sejam dedicados recursos para a prevenção quinquenária.

A tecnologia está em constante evolução, sendo utilizada por pessoas de todas as idades, incluindo crianças, em idade cada vez mais precoce. As brincadeiras tradicionais entre pais e filhos têm vindo a ser substituídas pelos brinquedos electrónicos, no entanto haverá consequências, positivas ou negativas, nesta mudança?

Uma investigação original, publicada na JAMA Pediatrics, concluiu que brincar com brinquedos electrónicos se associou a piores resultados na quantidade e qualidade da linguagem das crianças, comparativamente aos brinquedos tradicionais e livros. Enquanto médicos de família, talvez devamos desencorajar o uso de aparelhos electrónicos e estimular as brincadeiras com livros e brinquedos tradicionais.

Os cuidados centrados na pessoa são fundamentais para o sucesso dos serviços de saúde. No editorial publicado na RPMGF, a Dra Liliana Laranjo fala-nos sobre a importância e do impacto das tecnologias de informação e comunicação na decisão informada e partilhada entre médico e utente. Sendo o médico de família um veículo importante na promoção da literacia em saúde e da autonomia dos seus utentes, devemos ser capazes de aceitar que os utentes procurem informação sobre saúde e de os ajudar a encontrar a informação mais fidedigna.

 


 

Esperamos ter-vos trazido ideias novas para reflectir, analisar e discutir em grupo.

Contamos agora com membros novos na nossa equipa, aos quais damos as boas vindas e agradecemos o excelente trabalho.

Comentem, façam sugestões e subscrevam!

Boas leituras e melhores consultas!

 

Escrito por:

Paulo Faria de Sousa (Editor +MGF)
Cátia Sapateiro (Colaboradora +MGF)

Com colaboração de:

Angela Pacheco (Colaboradora +MGF)
Hugo Paiva (Colaborador +MGF)

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