+revistas #2

Na primeira edição de 2016 da RPMGF, o editorial levanta importantes questões sobre subespecialização (John Yaphe) e modalidades de aprendizagem (Ubirijara Junior) em MGF, bem como reforça o papel da prestação de cuidados no domicílio pelos médicos de família (Paula Broeiro).

Tem-se verificado um aumento no número de subespecializações disponíveis para os médicos de família nos EUA e no Canadá. Este aumento de procura poderá ser explicado por motivos económicos ou interesse numa área em particular. A dificuldade em manter a actualização nas diversas vertentes da MGF ou a pouca preferência por uma dada área também acaba por corresponder a uma forma de “especialização” por limitação da actividade clínica. Os críticos referem algum risco de fragmentação na prestação de cuidados, bem como sobrediagnóstico e iatrogenia na área de subespecialização. O ideal será manter cuidados de qualidade e de orientação generalista, possibilitando conhecimento e serviços mais especializados quando necessário. Em Portugal, temos o exemplo dos núcleos de estudos da APMGF. Estes surgem como pólos de desenvolvimento de interesses e conhecimentos mais especializados, sem implicar comprometimento do foco generalista na actividade assistencial.

A forma como se realiza o ensino em saúde também é abordada na RPMGF, apresentando-se a modalidade de Problem Based Learning, já aplicada noutros países, centrada no estudante e na solução de problemas reais ou simulados. Aos alunos, reunidos em pequenos grupos, são apresentados problemas fictícios ou reais pré-elaborados (com enfoque nos problemas mais relevantes) para que coloquem hipóteses e propostas de solução. Além disso, o aluno é precocemente inserido em actividades de saúde, com um currículo flexível e modificável. No entanto, não é fácil a institucionalização desta modalidade inovadora, implicando investimento em recursos educacionais e humanos. De qualquer modo, surge como uma possível resposta ao processo de reforma do ensino superior, rompendo com o modelo tradicional centralizador.

Em relação aos cuidados prestados no domicílio, é de destacar a evidência que mostra que a maioria das pessoas preferiria ser cuidada e morrer em casa se lhes fosse permitido escolher.  Alguns países têm reagido à evolução demográfica com políticas de envelhecimento no lugar, possibilitando a prestação de serviços e apoio às pessoas idosas para que se mantenham em casa. Um pilar do cuidar no lugar é o cuidador. O cuidador está sujeito a elevadas exigências e com um impacto que pode estar associado a tensão emocional e aumento do risco de doença. Se a carga sobre o cuidador excede a sua capacidade, o cuidado é seriamente comprometido, podendo conduzir a institucionalização do idoso. Têm sido estudados diferentes factores que parecem explicar diferenças na resposta dos cuidadores, nomeadamente aspectos de resiliência, bem como a capacidade de accionar recursos e de conferir significado à experiência de cuidar.

 

Ricardo Rodrigues, colaborador +mgf

Ana Rita Jesus Maria, editora +mgf

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