Nevos intradérmicos: que não se espalhe o pânico

Estamos perante uma das lesões mais frequentes e, felizmente, sem significado clínico de maior: os nevos melanocíticos intradérmicos, que se englobam no grupo dos denominados nevos melanocíticos adquiridos, vulgarmente chamados “sinais”.

Aparecem depois do nascimento (sobretudo a partir da segunda década de vida), apresentam um crescimento lento, estabilizam-se e, a partir da 5a-6a década de vida, costumam regredir. O número e prevalência destas lesões relaciona-se com factores raciais, com a idade, com a predisposição genética e com a exposição a radiação ultravioleta. Mas os nevos adquiridos comuns podem variar de maneira considerável no seu aspecto macroscópico, contribuindo em muitas ocasiões para gerar um alarme desnecessário.

Ainda que costumem ter uma superfície e um padrão de coloração homogéneo, com uma forma arredondada ou ovalada, com uns contornos regulares e uns bordos bem definidos, podem ser papilomatosos, cupuliformes ou pediculados.

Tipicamente os que têm maior volume costumam ser mais claros, e os mais aplanados, mais escuros (ainda que nem sempre seja assim). Com frequência, clinica e histologicamente classificam-se segundo a localização das células em nevos juncionais (na epiderme), intradérmicos (na derme) ou compostos (em ambas as zonas). Os nevos intradérmicos costumam ser lesões mais elevadas, de cor clara (com excepções), de superfície cupuliforme ou papilomatosa e que costumam localizar-se na cara, couro cabeludo ou tronco. Habitualmente assintomáticos, podem provocar desconforto devido à fricção (com a roupa, óculos, etc), e é frequente que o motivo da consulta seja por razões de índole estética, sobretudo quando se localizam na cara. Claro que tudo depende de cada caso, e há quem faça destas lesões a sua “marca pessoal”.

Lembram-se da Cindy Crawford?

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Ainda que não seja necessário realizar uma biópsia nos casos típicos, histologicamente os nevos intradérmicos têm poucos ninhos juncionais (ou nenhum), e costumam apresentar uma zona de Grenz relativamente livre de nevos melanocíticos, mesmo debaixo da epiderme. Portanto, o tratamento é desnecessário do ponto de vista médico, ainda que se possa ponderar se a lesão incomodar o paciente e se se puder garantir um bom resultado estético.

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E como há pouco mais a dizer, de seguida passo a esclarecer algumas falsas crenças (ou não), que dia após dia os nossos pacientes manifestam sobre este tipo de lesões:

“Deve ser mau porque eu antes não o tinha”. Como costumamos dizer, ninguém nasce com todos os seus nevos, logo claro que têm que ir aparecendo com o tempo.

“Se aumentam, são maus”. Ainda que aos pacientes sempre lhes chamem à atenção os nevos mais proeminentes, nós focamo-nos mais nos que são mais aplanados. Os nevos intradérmicos tendem a tornar-se mais papulares com o tempo, o que não é sinónimo de malignidade, longe disso. Mas atenção, que se estivermos a falar de um melanoma (não é o caso), o facto de se tornar mais proeminente não é nada bom.

“Se ganha pêlos, mau sinal”. Não. Que nasçam pêlos, sobretudo nos da cara, é o mais normal do mundo. Outra coisa é que não agrade.

“Arrancar um pêlo de um sinal é mau”. Bom, com carinho quase tudo é permitido, mas não se recomenda traumatiza-los demasiado e muitos dermatologistas aconselham cortar os pêlos em vez de arrancá-los com pinças. O que não se deve fazer é fotodepilação (com laser ou luz pulsada) sobre um sinal de qualquer tipo.

“Se dão comichão, são maus” Não necessariamente. Não é surpreendente que estas lesões se possam irritar em algumas ocasiões.

“É melhor tirá-los” Nem melhor, nem pior. Simplesmente, não costuma ser necessário.

Explicámos à Adelaide, tentámos esclarecer as suas dúvidas e esta saiu da consulta com os seus nevos no lugar e muito contente.


 

(agradecemos a honestidade intelectual de não colocar nos comentários respostas do post original  🙂 )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner

Traduzido por: Daniela Correia
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