+NNL #4

Bem vindos aos +NNL

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O número necessário ler todos os meses, nem mais, nem menos.

Uma newsletter inovadora que, em cada edição resume os 10 artigos do último mês com maior interesse para a MGF, de entre as publicações de várias revistas com renome nacional e internacional. Se tiver curiosidade ou quiser mais informação, clique no link e leia o abstract.


Após uma temporada de férias e exames, estamos de volta ao +NNL.

Começamos 2016 com empenho renovado e motivados pelos vossos comentários e pelo crescente número de subscrições.

O polémico estudo SPRINT atingiu um mediatismo notório, com ondas de choque a ameaçarem alterar as guidelines da HTA. Este artigo publicado no NEJM procurou determinar qual o melhor alvo de pressão arterial (PA) em doentes não diabéticos com risco cardiovascular alto. Foram seguidos 9361 participantes durante cerca de 3 anos.

Os doentes foram aleatorizados para um grupo controlo (alvo PA < 140 mmHg) e um grupo intensivo (alvo PA < 120 mmHg), e foram medidos outcomes cardiovasculares, mortalidade e outros. O estudo foi interrompido precocemente pela taxa reduzida de eventos cardiovasculares no grupo de tratamento intensivo (NNT – 61) e também pela redução da mortalidade global (NNT – 90).

Apesar dos resultados animadores, não podemos deixar de aconselhar cautela antes da aplicação prática destes resultados, particularmente no que toca à população abrangida.

 

Permanecendo no capítulo de estudo com resultados cautelosamente animadores, a empagliflozina figurou num estudo também publicado no NEJM. O estudo suportado pela Boehringer Ingelheim and Eli Lilly, procurou verificar qual o efeito da empagliflozina nos eventos cardiovasculares de doentes com diabetes tipo 2 medicados com 10 ou 25 mg contra placebo.

Após cerca de 3 anos de seguimento de 7020 doentes, verificaram que os doentes tratados tinham uma menor taxa de eventos cardiovasculares e de morte. Ainda assim, as taxas de enfarte agudo do miocárdio e de AVC foram semelhantes, e no grupo de tratamento observaram-se mais infecções urogenitais.

Todos reconhecemos que a infecção por H. Pylori como um factor carcinogénico no cancro gástrico. Será que devemos utilizar a terapêutica de erradicação em doentes assintomáticos infectados como prevenção primária de cancro gástrico?

Neste artigo Cochrane Corner publicado na Acta Médica Portuguesa, os autores fizeram uma revisão sistemática e metanálise com objetivo de responder à questão anterior.

Os resultados apontam para uma redução de risco relativo de 34% de cancro gástrico no grupo de tratamento, ou seja, NNT de 124. No entanto, os autores sublinham que os estudos provém de países asiáticos de elevada incidência, ao contrário de Portugal que tem uma incidência moderada. Assim sendo, a custo-efetividade desta terapêutica permanece incerta, e a decisão clínica deverá ser individualizada.

Em relação ao tema dos rastreios oncológicos, em 2012, foram publicadas recomendações americanas da U.S. Preventive Services Task Force contra o rastreio de cancro da prostata através do PSA em homens de baixo risco. No entanto, desconhecia-se o impacto destas recomendações na incidência de cancro da próstata nos últimos 3 anos. Um estudo ecológico, publicado na JAMA, pretendeu verificar esse impacto, em cada grupo etário (< 50, 50-74 e > 75 anos).

Concluíram que quer a incidência de cancro da próstata em estádio inicial, quer o rastreio com PSA, diminuíram desde a publicação das recomendações. No entanto, será necessário um follow-up mais longo para se perceber se estas diminuições têm impacto na mortalidade.

Publicado na Acta Médica Portuguesa, este artigo escrito por vários médicos de MGF analisa as Normas de Orientação Clínica (NOC) publicadas pela DGS.

Será que as NOC, com o objetivo de melhorar a qualidade dos serviços e normalizar práticas, têm em conta os valores dos doentes?

Os autores analisaram 18 NOC da área cardiovascular quanto à integração de ideias, medos, expectativas e preferências dos doentes na sua concepção. Apenas 5 das NOC incluíram os valores dos doentes, nenhuma delas na área do diagnóstico. Corre-se o risco dos doentes serem colocados numa posição secundária nestes processos de decisão, algo que será prejudicial para a qualidade dos serviços.

Um artigo de leitura obrigatória para quem quiser um olhar crítico mas construtivo, para aquilo as NOC são, e aquilo que podem ser.

A dor ganhou merecida relevância nas últimas décadas. Com progressos não apenas nas ferramentas disponíveis para o seu tratamento, mas também com preocupação crescente dos profissionais em avaliar e em tratar o apelidado “5º sinal vital”.

Este editorial publicado no NEJM faz uma breve revisão histórica do conceito de dor crónica e levanta questões sobre a sua actual abordagem. O autor defende que o tratamento de dor crónica obedece aos princípios validados para o tratamento de dor aguda, com consequências nocivas para os doentes e para os sistemas de saúde.

Sendo a dor um dos assuntos mais abordados nas nossas consultas, esta será uma reflexão importante de termos, quer como médicos, quer como comunidade científica.

Muitas vezes, a chegada de um bebé a uma família com animais revela-se um período de grande preocupação por parte dos pais. Recentemente, um estudo coorte publicado na revista JAMA Pediatrics, procurou perceber se a exposição no primeiro ano de vida das crianças a cães e a animais de quinta se associava a aumento do risco de asma. Os resultados revelaram uma redução do risco de desenvolver asma aos 6 anos de idade.

A PHDA é uma perturbação frequente em crianças e adolescentes, sendo o metilfenidato o fármaco mais usado no seu tratamento. No entanto, levantam-se algumas questões acerca dos benefícios e riscos da sua utilização. Uma revisão sistemática, realizada pela Cochrane, concluiu que os estudos publicados acerca do metilfenidato têm pouca qualidade e um grande risco de viés, pelo que os resultados apresentados são incertos. Parece haver melhoria do comportamento geral, dos sintomas referidos pelas professoras e da qualidade de vida referida pelos pais.

Não houve evidência de que o tratamento estivesse associado a efeitos adversos graves, nomeadamente morte, mas verificou-se um aumento dos efeitos adversos não graves.

Tendo em conta a elevada incidência e correspondente massificação do tratamento da PHDA, seria expectável que existisse uma evidência sólida a suportar esta prática clínica. Não sendo este o caso, talvez seja importante refletir sobre este tema.  

Os meses de Inverno são aqueles em que nos deparamos com maior número de infeções respiratórias. As crianças são um grupo vulnerável e, apesar de, frequentemente, serem infeções virais, algumas podem ser bacterianas e necessitar de antibioterapia.

Muitas crianças em idade pré-escolar desenvolvem episódios recorrentes de infeções respiratórias baixas graves . Neste grupo, será que o início precoce de azitromicina conseguirá evitar o agravamento destes episódios? Para responder a esta questão, foi realizado um estudo aleatorizado, que concluiu que nas crianças com história de infeções respiratórias baixas graves  recorrentes, o tratamento precoce com azitromicina, aquando de uma infeção respiratória, reduz a incidência de infeções respiratórias baixas graves. No entanto, o risco de resistências microbianas aos antibióticos está presente bem como outras preocupações de prevenção quaternária.

Parem de culpar os doentes pelas idas à urgência! É o mote do último artigo que vos trazemos neste +NNL. Ainda que cerca de 4/5 dos doentes que recorrem à urgência não necessitem de assistência urgente, David Oliver defende que a decisão de urgência e emergência deveria ser feita pelo doente e não pelo clínico. Isto porque, os doentes têm a noção de que indo à urgência são observados num período de horas. Alguns não têm confiança em outros serviços de saúde da comunidade, outros são incentivados pelo seu médico de família a ir à urgência e há, ainda, o grupo de doentes que tem medo de ter uma doença realmente grave com necessidade de tratamento urgente.

Conclui que culpar os doentes pelo uso de um serviço que estes consideram importante e necessário é a antítese da medicina centrada no doente.

Passará a solução pela alocação de urgências de cuidados de saúde primários às urgências hospitalares? Fica a questão!


Assim, terminamos o primeiro +NNL do ano. Esperamos ter ido de encontro às vossas expectativas!

Comentem, façam sugestões e subscrevam!

Votos de um 2016 com boas leituras e melhores consultas!

Paulo Faria de Sousa
Editor +MGF

Cátia Sapateiro
Colaboradora +MGF

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2 pensamentos sobre “+NNL #4

  1. Pingback: + NNL #6 | + mgf

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