“Tenho comichão na cabeça e não são piolhos”

Matilde entrou no gabinete médico acompanhada por um diretor do hospital, adquirindo automaticamente o estatuto de “paciente recomendada!”. Com os pacientes recomendados a lei de Murphy cumpre-se rigorosamente, pelo que se alguma coisa poderia correr mal, seguramente correrá mal. Tinha o meu sexto sentido em alerta máximo.

Com um sorriso de orelha a orelha, aperto a bata até acima. “-Em que posso ajudá-la?”. A resposta foi bastante simples: “-Tenho muita comichão na cabeça… e não são piolhos”. De modo que Matilde não sabia o que tinha, mas o que não tinha, porque a sua cabeleireira já tinha explorado minuciosamente o seu couro cabeludo e sugeriu que o melhor seria consultar um dermatologista para que fizesse uns testes de alergia. E como Matilde pertence à alta sociedade e tem contactos importantes, aqui estava a ser consultada (estávamos em Agosto e os bons dermatologistas estavam de férias).

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Fig. – Região cervical posterior.

Com tudo isto, a senhora Matilde, de 65 anos, hipertensa e com uma dislipidemia que trata com iogurtes líquidos (para isso é suficiente estar atento aos anúncios televisivos), explica-nos com mais detalhe que o prurido no couro cabeludo persiste há mais de um mês, sobretudo na região occipital irradiando à região cervical. Inclusivamente apresenta lesões de coceira. Não apresenta prurido em nenhuma outra região nem outros sintomas associados.

Neste momento esta é a informação de que dispomos. Devemos seguir o conselho da sua cabeleireira e solicitar os testes epicutâneos? Poderá ser uma reacção alérgica à tinta para o cabelo? Fazemos uma biopsia? Ou procuramos outras coisas? Uma avaliação analítica com doseamento das hormonas tiroideias, IgE e ferritina? Pedimos os ANA?


(agradecemos a honestidade intelectual de não colocar nos comentários respostas do post original 🙂 )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner

Traduzido por: André Santos
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6 pensamentos sobre ““Tenho comichão na cabeça e não são piolhos”

  1. Dermatite de Contato?
    Uma aferição do tipo de colares usados pela senhora ou outros materiais em torno da região poderá acrescentar alguma informação. Claro que espreitar para o couro cabeludo e aferir se a cabeleireira fez uma boa vistoria também é obrigatório.

    Gostar

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