+NNL #3

Bem vindos aos +NNL

+nnl4

O número necessário ler todos os meses, nem mais, nem menos.

Uma newsletter inovadora que, em cada edição resume os 10 artigos do último mês com maior interesse para a MGF, de entre as publicações de várias revistas com renome nacional e internacional. Se tiver curiosidade ou quiser mais informação, clique no link e leia o abstract.


Bem vindos a mais uma edição do +NNL!

Começamos com um aparente artigo páraquedas (links com explicação da expressão).

O estudo que trazemos pode ajudar a responder à questão: “Doutor, devo ser operado ao meu joelho para melhorar a dor das minhas artroses?”.

Publicado no NEJM, este estudo aleatorizado e controlado avaliou a eficácia da colocação de uma prótese total do joelho na melhoria da dor e qualidade de vida.

O grupo intervencionado obteve uma melhoria de sintomas e funcionalidade, mas também maior risco de complicações graves, salientando-se a necessidade de uma decisão partilhada, individual e informada.

Os antagonistas alfa-adrenérgicos estão relacionados com episódios de hipotensão. Aquando do tratamento de idosos com antagonistas alfa, haverá risco aumentado de quedas e fracturas?

Através de um estudo de coorte retreospectiva, os autores investigaram se doentes que levantaram a sua primeira receita de antagonistas alfa recorram mais à urgência por quedas ou fracturas nos 90 dias seguintes. Os resultados apontam para um aumento do risco de quedas e de fractura, ainda que muito ligeiro (Aumento risco de queda – 0.17%; Aumento risco de fratura – 0.06%).


A descontinuação de anti-hipertensores nos idosos com deficit cognitivo ligeiro trará benefícios na função cognitiva? Num ensaio-clínico aleatorizado, realizado na Holanda, os autores concluíram que após 16 semanas de follow-up, nos doentes com ≥ 75 anos e sem doença cardiovascular grave, a descontinuação da terapêutica anti-hipertensora não melhorou a função cognitiva, psicológica nem a funcionalidade global.

1. Não terás outro propósito que não ajudar os teus utentes, de acordo com os objectivos que eles querem atingir”. É este o primeiro dos dez mandamentos para medicina centrada no doente.

De forma bíblica, os autores lapidam as pedras fundamentais desta forma de fazer medicina, onde está bem presente a prevenção quaternária (10. Farás os possíveis para usar o menor número de fármacos) e a medicina baseada na evidência (2. Procurarás sempre saber os benefícios, danos e custos de tratamento e partilharás este conhecimento).

Um texto para ler, refletir, e eventualmente emoldurar nos nossos gabinetes.

Trabalhar mais do que 40 horas por semana é uma prática frequente, sobretudo entre médicos e outros profissionais de saúde. Assim, este mês, o +NNL traz-vos uma revisão sistemática e meta-análise, publicada na Lancet, onde se pretende esclarecer se trabalhar “mais” horas por semana aumenta o risco de doença coronária e AVC?

Os autores concluem que quem trabalha ≥ 55 horas por semana tem maior risco de AVC comparativamente com quem trabalha 35-40 horas por semana. O aumento de risco de doença cardíaca coronária foi muito ligeiro.

A sugestão é que prestemos maior atenção aos fatores de risco cardiovasculares dos nossos utentes que trabalham mais horas semanais, e talvez aos nossos também.

Um estudo de coorte prospectivo seguiu doentes após EAM medicados com antitrombóticos, com o objectivo de perceber se os IBP diminuiam o risco de hemorragia gastrointestinal associado à toma de AINEs nestes doentes.

Após um seguimento médio de 5.1 anos, o risco de hemorragia foi menor no grupo tratado, em cerca de 72% (menos cerca de 0.3 eventos por 100 pessoas/ano).

A Liraglutida continua a fazer correr tinta. Este estudo aleatorizado e controlado com placebo, procurou verificar a eficácia da liraglutida em doentes com diabetes a fazer várias injecções de insulina por dia.

Os doentes do grupo de tratamento melhoraram os seus níveis glicémicos (menos 1,13% HbA1C), reduziram peso (menos cerca de 3.8kg) e reduziram a dose de insulina, sem ocorrência de hipoglicemias adicionais.

A lombalgia aguda é um motivo importante de consulta, sendo frequentemente, tratada com AINEs, paracetamol, opióides e/ou relaxantes musculares. Haverá beneficio, na funcionalidade e alívio da dor, em associar a ciclobenzapirina ao naproxeno?

Num ensaio clinico aleatorizado, realizado em Nova Iorque, os autores compararam 10 dias de tratamento com naproxeno em monoterapia vs naproxeno + ciclobenzapirina, tendo concluído que, na lombalgia aguda, não traumática e não radicular, a associação não teve beneficio.

A Sociedade Americana de Oncologia acaba de atualizar as guidelines relativas ao rastreio do cancro da mama, em mulheres de risco médio/baixo. Recomenda: mamografia anual, entre os 45 e 54 anos, e bianual, após os 55 anos, devendo continuar o rastreio mulheres com esperança média de vida > 10 anos. Acerca do mesmo tema, uma revisão sistemática, publicada na JAMA, foi verificar a associação entre a realização de mamografia e o exame mamário, em mulheres de todas as idades e em todos os intervalos de tempo, com a mortalidade e o sobrediagnóstico.

Concluiram que associar o exame mamário à mamografia não traz beneficio na mortalidade, aumentando o número de falsos positivos. Quanto à mamografia, verificou-se uma redução da mortalidade em 20%. No entanto, os autores alertam para o facto de existirem discrepâncias entre as diversas formas de rastreio, devendo estas ser tidas em conta quando se fala em beneficios e riscos do rastreio.

Para terminar esta edição do +NNL, e mantendo a temática dos rastreios oncológicos, deixamos-vos com um editorial do nosso colega Bruno Heleno, publicado na última edição da RPMGF.  Este defende que, sendo a remuneração associada aos indicadores de desempenho um incentivo poderoso para a mudança de comportamentos dos profissionais de saúde, estes deveriam ser reservados para situações em que os benefícios ultrapassam largamente os malefícios. Esta premissa não se verifica com os rastreios oncológicos, onde o benefício de mortalidade é modesto e existe sobrediagnóstico.

A ciência ajuda-nos a encontrar respostas para as dúvidas clínicas. No entanto, como já referido  nesta newsletter, muitos estudos não nos dão respostas claras, apenas evidênciam a incerteza inerente às nossas acções. Perante isto, a forma mais ética de proceder continua a ser a decisão partilhada, com todos os desafios que esta incorpora.


 

Chegámos ao final de mais uma edição do +NNL.

Esperamos ter contribuído para aumentar o vosso espírito critico acerca dos temas mais quentes do mês.

Comentem, façam sugestões e subscrevam!

 

Boas leituras e melhores consultas!

Paulo Faria de Sousa
Editor +MGF

Cátia Sapateiro
Colaboradora +MGF

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2 pensamentos sobre “+NNL #3

  1. Parabéns, Paulo e Cátia! E obrigada, por facilitarem a minha actualização contínua! (Não há tempo para ler nem um milésimo dos estudos relevantes publicados…

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