A borbulha do jardineiro

Depois de dois casos introdutórios muito fáceis, vamos agora elevar a fasquia! Este é bem mais interessante. Para que isto seja mais divertido, recordamos que não vale ir ver ao post original!! 🙂

Era o mês de Dezembro, num dia de consulta qualquer, quando vimos pela primeira vez um paciente de 42 anos, natural da Roménia, jardineiro de profissão e residente em Maiorca desde há 3 anos (embora mal “arranhasse” o castelhano). Não tinha alergia a nenhum fármaco e como único antecedente só nos referia que desde há 10 anos estava diagnosticado de psoríase em placas ligeira, para a qual não estava a realizar nenhum tratamento específico nesse momento, para além de emolientes.

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Ainda que o motivo de consulta não tivesse nada a ver com a sua psoríase. Contava-nos que desde há uns dois meses tinha aparecido uma lesão no dorso da mão direita, em forma de uma “borbulha vermelha”, que com o decorrer de semanas tinha aumentado progressivamente de tamanho. Não se lembrava de nenhum traumatismo prévio (para além dos normais do seu trabalho), e não apresentava outras lesões semelhantes. Não tinha tido febre, nem sintomatologia sistémica, e chamou-me a atenção que a lesão quase não lhe causava desconforto (não lhe doía e só referia um ligeiro prurido).

Mas olhando para a “borbulha” com mais atenção, tratava-se de uma úlcera de 2,5 cm, com fibrina e tecido de granulação (não cheirava mal), bem delimitada, com um halo eritematoso com elevação ao seu redor, e sem lesões satélite nem linfangite associada.

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Antes de o referenciar, o seu médico de família tinha estado a tratá-lo com antibióticos tópicos (mupirocina) e cloxacilina oral durante 8 dias, apesar de a lesão ter vindo a aumentar de tamanho até ter o aspeto atual.

Resumindo, temos um paciente jovem, com psoríase, da Europa de Este, com uma única lesão ulcerada na mão, sem outra sintomatologia, que não respondeu ao tratamento antibiótico.

Além de discutir o diagnóstico, imagino que estão todos a pedir uma biópsia a alto e bom som (fizemo-la, claro), mas (tendo em conta que a biopsia demorará umas 3 semanas) há alguma prova que possamos fazer ao paciente e que nos permita confirmar a suspeita diagnóstica com alguma rapidez?

Como sempre é provável que existam diversas alternativas corretas, sempre e quando procedamos com algum senso comum.

O que acham?


(agradecemos a honestidade intelectual de não colocar nos comentários respostas do post original 🙂 )

Origem do +dermapixel

Post original e créditos da foto para: Rosa Taberner
Traduzido por: Marta Travessa

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11 pensamentos sobre “A borbulha do jardineiro

  1. A primeira vez que olhei pensei num queratoacantoma de aspecto esquisito, mas os bordos não me parecem suficientemente elevados e o centro demasiado ulcerado. Agora estou a pensar em qualquer coisa mais exótica…tuberculose cutânea talvez? Se é para elevar a fasquia 😎

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