+NNL Setembro

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O número necessário ler todos os meses, nem mais, nem menos.

Uma newsletter inovadora que, em cada edição resume os 10 artigos do último mês com maior interesse para a MGF, de entre as publicações de várias revistas com renome nacional e internacional. Se tiver curiosidade ou quiser mais informação, clique no link e leia o abstract.



Começamos a edição de Setembro do +NNL com destaque para  a prevenção quaternária. Um estudo ecológico dos EUA comparou as taxas de rastreio de mamografia de vários condados americanos com a incidência de cancro da mama e taxa de mortalidade.

Maiores taxas de rastreio estavam associadas a mais diagnósticos de cancros pequenos, no entanto, não se associaram a  alterações nas taxas de mortalidade por cancro da mama. A última frase do abstract é alarmante: “estes resultados sugerem um caso de sobrediagnóstico em grande escala”.


Será que o aporte nutricional de cálcio por alimentos ou suplementos diminui o risco de fracturas? Esta meta-análise e revisão sistemática tenta responder  a esta questão. Segundo os autores, os resultados são muito claros: o aporte de cálcio não está relacionado com o risco de fratura e não existe evidência que apoie a suplementação com cálcio na prevenção das mesmas.


Um estudo longitudinal comparou os níveis séricos de vitamina D com as trajetórias de declínio cognitivo de 382 participantes. Da análise efectuada conclui-se que níveis séricos mais baixos estão associados a um declínio cognitivo acelerado. Uma nota importante dos autores é que fica por provar que a suplementação atrase o declínio cognitivo. Com tantos efeitos atribuíveis ao défice desta vitamina, aqui no +NNL não nos pudémos deixar de interrogar sobre quanto destes resultados serão atribuíveis a viéses de estudos observacionais.


Trabalhar quando estamos doentes parece ser uma prática frequente entre médicos. Chama-se presenteísmo e foi estudada neste artigo descritivo transversal num hospital pediátrico em Filadélfia, EUA. Apesar de os vários profissionais compreenderem os risco desta prática, níveis elevados da mesma pareceram resultar da vontade de não sobrecarregar os colegas, de não desiludir os doentes e de diferentes noções do conceito “estar demasiado doente para trabalhar”. Ainda sobre este tema, John Yaphe escreve um editorial muito interessante na nossa RPMGF, apelando à investigação nacional nesta área.


O alopurinol é um medicamento amplamente prescrito e com reacções de hipersensibilidade conhecidas, que vão desde o eritema até à morte. Um estudo retrospectivo da Tailândia avaliou estas reações e seus principais factores de riscos. Concluíram que a mortalidade era de 0.39/1000 nos novos utilizadores. De entre os factores de risco destacam-se a sua prescrição na  hiperuricémia assintomática, em doentes com doença cardiovascular ou renal e, quando a dose inicial é acima de 100mg/dia.


A prevenção da Diabetes tipo II foi avaliada no estudo DPP. No decorrer  do  estudo, foram seguidos, durante 15 anos, os doentes dos 3 braços do estudo: metformina, alterações estilo de vida e placebo. Apesar da redução significativa do início de diabetes verificada nos grupos de metformina e alteração de estilo de vida, as complicações microvasculares mantiveram-se semelhantes em todos os grupos. Deixamo-vos o convite para uma análise e crítica a este estudo para publicação posterior no + MGF.


A transição para a velhice é acompanhada de perda de autonomia. A partilha de informação médica e o direito dos nossos doentes idosos decidirem sobre este tema é cada vez mais relevante. Neste estudo qualitativo, tentou-se perceber que atitudes têm os idosos e seus cuidadores relativamente à partilha de informação de saúde. Após as discussões em grupo, as principais mensagens que emergiram foram: que existem opiniões diversas, que o acesso a informação médica pode ter consequências graves, 3. e que os idosos não querem ser vigiados pelos familiares. A transferência do controlo de informação deve ser então individualizada e gradual, à medida que se vai verificando  a diminuição de autonomia dos idosos.


Na tentativa de melhorar o processo de decisão partilhada aquando da prescrição de antidepressivos foram desenvolvidos cartões que resumem as principais características dos antidepressivos – o Depression Medication Aid. Este estudo aleatorizado em cluster foi realizado em cuidados de saúde primários, e avaliou o impacto desta ferramenta  no conforto com a decisão tomada , adesão terapêutica e sintomas depressivos, entre outros.Apesar da ausência de efeito na adesão terapêutica e sintomas depressivos, é importante destacar que a duração da consulta foi sobreponível e que a satisfação e conforto de ambos intervenientes aumentaram.


Será que podemos prevenir o desenvolvimento de miopia em crianças? Um estudo aleatorizado em cluster, realizado na China, testou uma hipótese: aumentar 40 min/dia o tempo ao ar livre + encorajar os pais a envolver os filhos em actividades exteriores,  diminui o desenvolvimento de miopia? Os resultados foram muito interessantes: o grupo intervencionado teve uma taxa de incidência cumulativa de -9.1% em relação ao grupo controlo. Algo para reforçar os nossos aconselhamentos de saúde infantil.


Para terminar esta edição não podemos deixar de assinalar um artigo que pode tornar-se histórico. Conforme assinalado neste editorial da Fiona Godlee no BMJ, o estudo que vos trazemos é na verdade uma reanálise de outro estudo financiado pela GSK para averiguar a eficácia da paroxetina em adolescentes com depressão major – o estudo 329. A primeira versão deste reportou boa tolerabilidade e eficácia em adolescentes, promovendo o uso do fármaco.

Mais tarde, foram levantadas suspeitas de aumento de comportamentos suicidas nos adolescentes tratados, o que levou a uma investigação que culminou numa  multa de 3 biliões de dólares pelos dados ocultados pela farmacêutica.
A iniciativa RIAT do BMJ pretende restaurar ensaios abandonados e invísiveis, uma força importante contra a subpublicação. Dá os seus primeiros passos com o estudo 329.

Após análise dos dados originais do estudo os autores concluem o que se suspeitava: nem a paroxetina nem a imipramina são superiores a placebo no tratamento da depressão, havendo danos clinicamente significativos de ideação e comportamentos suicidas.


Subscrevam para receberem directamente no vosso mail. Comentem, e enviem-nos feedback.

Boas leituras e melhores consultas!

Paulo Faria de Sousa
Editor +MGF

Cátia Sapateiro
Colaboradora +MGF

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6 pensamentos sobre “+NNL Setembro

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